Conversando com uma amiga que teve uma perda recente, entro em uma porta da minha mente que estivera fechada durante alguns anos. Hoje me sinto tranqüilo ao destrancá-la, pois quem estará abrindo é um homem, muito mais forte que a criança que precisou encontrar forças para trancá-la.
Vasculhando cada memória do ano de 2011 eu penso em como esse ano me mudou. Chegou Outubro com meus tão esperados 18 anos, mas estava longe de ser o que eu esperava. Acho que ninguém gostaria de comemorar quando se tem um ente querido na UTI. Eu me mantive positivo; ela já passou tantas vezes por diversas internações, ela vai voltar, pensou o jovem que via os 18 como “o dia que poderia tirar a carteira de motorista”.
Com a chegada de Novembro, passou-se o dia de Finados (2), o aniversário da paciente desacordada (3) e 10 dias depois veio o falecimento. Sinto que naquele dia houve algo diferente, como se houvesse um cartão de aniversário debaixo da minha porta me desejando “Parabéns” atrasado, a diferença é que eram palavras escritas com sangue. E que eram tão irônicas, pois soavam como um “você viveu muito, deseja continuar?”
Sempre tive “a cabeça no lugar “ e enfrentei minha 1ª grande perda. Fui persistente e converti a minha dor em arte, pois a dor tem um momento muito inspirador. A dor me trouxe experiência a ponto das pessoas me deixarem entediado. Olhar para uma parede parecia ser mais interessante que olhar para uma pessoa. Descobri que ao olhar para o chão eu ficaria invisível perante a todos. Eu definitivamente virei minha sombra. Não tinha a luz e o calor que eram características perceptíveis em mim. Me sentia mais frio que um corpo morto... não estava vivendo, estava sobrevivendo.
Não sou uma pessoa fraca, se uma dor que durou anos não me matou, não é a dor de menos de um mês que vai me matar. Já enfrentei meus demônios e eu mesmo fiz questão de enterrá-los...
SOZINHO!

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