quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Texto: Novembro é o mês da Morte


Conversando com uma amiga que teve uma perda recente, entro em uma porta da minha mente que estivera fechada durante alguns anos. Hoje me sinto tranqüilo ao destrancá-la, pois quem estará abrindo é um homem, muito mais forte que a criança que precisou encontrar forças para trancá-la.

Vasculhando cada memória do ano de 2011 eu penso em como esse ano me mudou. Chegou Outubro com meus tão esperados 18 anos, mas estava longe de ser o que eu esperava. Acho que ninguém gostaria de comemorar quando se tem um ente querido na UTI. Eu me mantive positivo; ela já passou tantas vezes por diversas internações, ela vai voltar, pensou o jovem que via os 18 como “o dia que poderia tirar a carteira de motorista”.

Com a chegada de Novembro, passou-se o dia de Finados (2), o aniversário da paciente desacordada (3) e 10 dias depois veio o falecimento. Sinto que naquele dia houve algo diferente, como se houvesse um cartão de aniversário debaixo da minha porta me desejando “Parabéns” atrasado, a diferença é que eram palavras escritas com sangue. E que eram tão irônicas, pois soavam como um “você viveu muito, deseja continuar?”

Sempre tive “a cabeça no lugar “ e enfrentei  minha 1ª grande perda. Fui persistente e converti a minha dor em arte, pois a dor tem um momento muito inspirador. A dor me trouxe experiência a ponto das pessoas me deixarem entediado. Olhar para uma parede parecia ser mais interessante que olhar para uma pessoa. Descobri que ao olhar para o chão eu ficaria invisível perante a todos. Eu definitivamente virei minha sombra. Não tinha a luz e o calor que eram características perceptíveis em mim. Me sentia mais frio que um corpo morto... não estava vivendo, estava sobrevivendo.

Não sou uma pessoa fraca, se uma dor que durou anos não me matou, não é a dor de menos de um mês que vai me matar. Já enfrentei meus demônios e eu mesmo fiz questão de enterrá-los...

SOZINHO!

domingo, 29 de junho de 2014

Resenha: Lúcifer e o Martelo #1 - Satoshi Mizukami



Título no Brasil: Lúcifer e o Martelo
Título Original: Hoshi No Samidare
Também conhecido por: Lucifer and the Biscuit Hammer
Volume: 1
Autor/Mangaká: Satoshi Mizukami
Número de Páginas: 224
Editora no Brasil: JBC
Ano de Lançamento: 2006
Ano de Lançamento no Brasil: 2014
Traduzido para o Português por Luiz Kobayashi.


A RESENHA ABAIXO NÃO REVELARÁ O FINAL DO MANGÁ.


Yuuhi Amamiya é um jovem pervertido com uma vida comum e solitária. Certo dia ele acorda e vê um lagarto em seu quarto observando com atenção. Após um silêncio constrangedor, o lagarto decide se apresentar para Yuuhi, dizendo ser um cavaleiro de nome Noi Crescent e que precisa da ajuda do garoto para cumprir uma missão.



Noi é ignorado por Yuuhi, que em alguns momentos questiona a sua sanidade. A insistência de Noi convence Yuuhi a ouvir o apelo do lagarto. Sua missão é salvar a princesa das armadilhas criadas pelo Feiticeiro Maligno que planeja destruir a Terra com seus bonecos de barro. Para derrotá-los Yuuhi contará com os poderes do anel conhecido como Domínio Controlável que já estava em sua posse. Com o final da explicação Noi diz que Yuuhi terá companheiros para que conclua essa missão e que receberá uma recompensa antecipada: O que ele quiser!


Ainda espantado com toda essa informação, Yuuhi conhece sua vizinha, uma garota forte e linda chamada Samidare Asahina, irmã da sua estranha professora da faculdade. Assim que Noi encontra a garota, percebe que ela é a princesa. A garota está decidida a derrotar o Feiticeiro Maligno por um simples motivo: Ela é que quer destruir a Terra!

Yuuhi se compromete a ajudá-la, já que ele não se importa com a Terra, deixando Noi mais preocupado ainda com o destino da sua missão. A decisão de nosso anti-herói contraria a promessa que ele fez ao seu avô, que dizia para ele não fazer amigos e inimigos, apenas vivesse sozinho. O sentimento de culpa de Yuuhi é representado de uma forma até engraçada na trama.

O maior e mais perigoso boneco de barro é  um martelo gigante que está flutuando no céu que ameaça colidir com a Terra a qualquer momento. Só eles podem impedir, pois são os únicos que podem ver os bonecos de barro.

O Mangá tem tudo para ser um sucesso no Brasil e combina diversos gêneros (a comédia e ação prevalecem) para que agrade tanto os leitores quanto as leitoras.

A edição, lançada no mês de Junho de 2014, conta com 8 páginas coloridas, impressão colorida nas capas internas e um prefácio do Autor/Mangaká Satoshi Mizukami exclusivo para a edição brasileira do Mangá.

A Primeira edição me deixou empolgado para continuar lendo os próximos volumes. Pra quem não sabe serão 10 edições. A Editora JBC lançará mensalmente no valor tabelado de R$ 13,90, oferecendo até planos de assinatura.

A Segunda edição estará disponível nas bancas a partir de Julho.
Então corra para garantir a Primeira edição!

Caso já tenha lido, compartilhe nos comentários o que achou desse Mangá.


Imagem da capa nacional e da impressão nas capas internas.




quinta-feira, 12 de junho de 2014

Resenha: O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman






Título no Brasil: O Oceano no Fim do Caminho

Título Original:  The Ocean at the End of the Lane
Autor: Neil Gaiman
Número de Páginas: 208
Editora no Brasil: Intrínseca
Ano de Lançamento: 2013
Traduzido para o Português por Renata Pettengill.


                                        






                           A RESENHA ABAIXO NÃO REVELARÁ O FINAL DO LIVRO.
                                   



O Livro começa com um homem de uns 40 anos, já divorciado, nosso narrador sem nome, participando de um velório onde não é claro, mas podemos supor ser um familiar dele. Não estava ali porque queria, era apenas um dever a ser cumprido. Aproveitou essa visita a cidade de Sussex e seguiu pelas suas estradas sem nenhum rumo, até que percebe que estava a caminho de uma das casas onde viveu. Sua infância e adolescência estavam ali, mas não parece ter sido relevante para o que ele se tornou.

Tudo mudou de alguma maneira, mas ele ainda se lembrava da casa de Lettie Hempstock, sua amiga de infância que até então estava esquecida. Resolveu então fazer uma visita ao lar da família Hempstock, onde nos fundos há um lago onde trouxe lembranças das suas aventuras aos 7 anos, quando conheceu a garota, que aos 11 anos teimava ao dizer que o lago era um oceano.

Antes de conhecer Lettie, ele vivia velejando no mundo dos livros e só tinha como seu melhor amigo um pequeno gatinho. Após a morte de um senhor que vivia de aluguel na casa dos pais do garoto, esse infortúnio desencadeou diversas situações estranhas e mágicas que trará riscos e perdas durante o livro.


Outras lembranças lhe ocorrem, mas quando se é criança tudo é uma mistura de real e fantasioso, essência e aparência, e assim por diante. Esse é o momento! Onde está sua criança interior?


Lettie é uma excelente amiga que vive com sua mãe e sua avó. As três são tão diferentes e tão parecidas. São o ponto alto da história. É divertido ver o mundo sob a perspectiva das Hempstock! A vida dessa família é cercada de mistérios. Provavelmente você ainda se pergunte ao terminar de ler o livro, a intenção é essa! 


Esse livro é bem divertido. Quem costuma a ler livros adultos vai precisar consultar sua criança interior para entender melhor o conteúdo desse. Talvez no início você consiga ler sozinho, mas haverá momentos em que será necessário abstrair e se jogar nessa aventura. Não se engane pela ingenuidade dos personagens, não é um livro para crianças. É um livro para jovens e adultos em busca da sua criança esquecida.

O Livro é de fácil leitura e termina tão rápido que você imaginará muito sobre essa história por um bom tempo.





Diferentes capas para o mesmo livro





sexta-feira, 30 de maio de 2014

Resenha: O Chamado do Cuco - Robert Galbraith





Título no Brasil: O Chamado do Cuco
Título Original: The Cuckoo's Calling
Autor: Robert Galbraith
Número de Páginas: 448
Editora no Brasil: Rocco
Ano de Lançamento: 2013
Traduzido para o Português por Ryta Vinagre.


                            A RESENHA ABAIXO NÃO REVELARÁ O FINAL DO LIVRO.





A história desse volume se passa em Londres e gira em torno do suicídio da bela e perturbada supermodelo Lula Landry, que ocorreu em seu apartamento em uma noite de inverno. O meio-irmão dela, John Bristow, não acredita que Lula seria capaz de se jogar da sacada e suspeita que houve um homicídio. Após alguns meses de investigações sob a exposição dos holofotes, a polícia já não tinha dúvidas de que o suicídio era certo.

Indignado com o resultado do inquérito, John contrata alguns detetives particulares, mas insatisfeito com a opinião unânime deles, resolve contratar um que era amigo de infância do seu falecido irmão Charlie; o detetive Cormoran Strike, conhecido por ser filho de um músico famoso cujo o qual não possui proximidade com esse filho.

Strike já esteve na guerra por anos, o que trouxe para ele traumas e uma perna amputada. Ele não possui muitos casos para investigar e ao mesmo tempo está se afundando em dívidas e superando uma separação de sua mulher Charlotte. Por esse motivo vive em seu próprio escritório, sendo tudo que lhe restou. Quando questionado pelos amigos como vai sua relação com Charlotte, ele diz que está tudo bem para dar a impressão de que não está só.

Quando surge a temporária Robin, uma moça eficiente que ficará por um curto período no escritório de Strike, ele tem a sorte de receber a proposta de John, que por ser rico, oferece o suficiente para pagar boa parte das suas dívidas. Robin está noiva e trabalha na Temporary Solutions até conseguir uma vaga em um emprego estável. Seu sonho de infância se realiza ao estar em um escritório de detetive. Seu trabalho com Strike é feito com maestria, pois faz buscas e pesquisas apuradas e consegue chamar a atenção dele, que antes errava o seu nome.

Strike recebe constantes ameaças de morte de um antigo cliente, o que deixa Robin perplexa com sua frieza ao dizer que não é necessário falar com a polícia sobre isso. Esse pode ser um gancho para alguma outra aventura, suponho eu.

Após aceitar investigar o caso Lula Landry, Strike percebe o quanto a vida de celebridade consumiu Lula, que embora fosse uma supermodelo, era de origem humilde e tinha curiosidade de conhecer sua família biológica. Seus amigos chamavam ela de diversos apelidos como Cuco (Cuckoo no texto original) e Looly. Todos queriam estar próximos da estrela em ascensão e saber um pouco mais sobre ela. A fama de Lula trouxe consigo pessoas de caráter duvidoso, o que dificulta mais a investigação de Strike, pois cada um fazia sua versão de Lula.



Diversos mistérios são descobertos nesse romance policial incrível que te envolve durante todo o percurso do Livro. Cormoran Strike é o Sherlock Holmes do Século XXI, não há como negar após ler essa obra.

J.K. Rowling escreveu esse livro sob o pseudônimo de Robert Galbraith. E sei que sem essa revelação, muitos de nós nem leria este livro.

Para quem leu Morte Súbita ( The Casual Vacancy) de J.K. Rowling, sabe que ela adora usar músicas de grande popularidade no cenário musical em seus Livros. Quem gosta receberá outra referência musical nesse; a música "Telephone" da Lady Gaga (com a participação de Beyoncé) do álbum "The Fame Monster" está presente em um momento do Livro.

Ainda esse ano será lançado o segundo livro narrando outra aventura de Cormoran Strike. Até agora foi informado que se chamará "The Silkworm" e será lançado 19 de Junho de 2014. Aguardamos ansiosos pela continuação dessa saga.

                                                           
                                                 Capa da Edição Americana